Câmara mantém veto de Cassiano Maia e nega acesso a sensores de glicose para crianças diabéticas em Três LagoasRepostagem Pelo Noticias3l
Câmara mantém veto de Cassiano Maia e nega acesso a sensores de glicose para crianças diabéticas em Três Lagoas
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Na prática, Executivo e Legislativo caminharam juntos para negar tecnologia, qualidade de vida e segurança a crianças que convivem diariamente com o risco de complicações causadas pelo diabete
Uma decisão que deveria proteger crianças acabou se transformando em mais um episódio de insensibilidade política. O veto do prefeito Cassiano Maia ao projeto de lei que previa a distribuição de sensores de monitoramento contínuo de glicose para crianças diabéticas de 4 a 12 anos da rede municipal de ensino não apenas foi mantido — foi endossado pela própria Câmara Municipal.
Na prática, Executivo e Legislativo caminharam juntos para negar tecnologia, qualidade de vida e segurança a crianças que convivem diariamente com o risco de complicações causadas pelo diabetes.
Tecnologia que salva — mas foi negada
Os sensores de glicose representam um avanço significativo no controle do diabetes, especialmente em crianças. Diferente do método tradicional, que exige múltiplas picadas no dedo ao longo do dia, os sensores permitem monitoramento contínuo, em tempo real, reduzindo dor, desconforto e riscos de crises graves, como hipoglicemia.
No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a discussão sobre ampliação do acesso a esse tipo de tecnologia vem crescendo justamente por seu impacto direto na prevenção de internações e complicações futuras — o que, inclusive, reduz custos ao próprio sistema público.
Ainda assim, em Três Lagoas, a proposta foi tratada como dispensável.
Falta de prioridade ou escolha política?
O argumento para o veto gira, como de costume, em torno de custos e impacto financeiro. No entanto, a decisão levanta um questionamento inevitável: quanto vale a saúde de uma criança?
A mesma gestão que já autorizou contratos milionários em outras áreas agora alega limitações orçamentárias para um programa voltado a um público extremamente vulnerável. A conta não fecha — e a população percebe.
Mais grave ainda foi a postura da Câmara, que poderia ter derrubado o veto e garantido a implementação da medida. Ao optar por manter a decisão do Executivo, os vereadores assumem, conjuntamente, a responsabilidade por negar esse direito.
Impacto direto nas famílias
Para pais e responsáveis, a decisão representa mais do que um debate político: é uma dificuldade concreta no dia a dia. O controle rigoroso da glicemia em crianças exige atenção constante, noites mal dormidas e, muitas vezes, sacrifícios financeiros para aquisição de tecnologias que poderiam ser fornecidas pelo poder público.
Ao barrar a distribuição dos sensores, o município transfere essa responsabilidade integralmente para as famílias — muitas delas sem condições de arcar com os custos.
Um recado preocupante
A manutenção do veto envia um sinal claro: políticas públicas voltadas à saúde preventiva e à qualidade de vida ainda não são prioridade na gestão municipal.
Em um cenário onde se discute humanização da saúde e atenção básica eficiente, a decisão de negar um recurso que poderia evitar complicações graves soa como um retrocesso.
Mais do que números e planilhas, trata-se de crianças. E, nesse caso, o poder público escolheu virar as costas

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