Carreta da Saúde em Três Lagoas: Suspeita de médicos sem registro de especialista gera cobrança à prefeitura
📌 Repostagem: Jornal da Lagoa.
16 de julho de 2026 — Por Notícias3L.

Reportagem do Jornal da Lagoa questiona se médicos que atuaram na Carreta da Saúde possuíam Registro de Qualificação de Especialista (RQE).
A carreta da saúde chegou a Três Lagoas com uma missão importante: reduzir a fila reprimida de pacientes que aguardam há meses — e, em alguns casos, por períodos ainda maiores — por consultas especializadas e exames.
A iniciativa, que poderia representar um importante avanço para a saúde pública do município, agora levanta questionamentos que precisam ser esclarecidos pela Prefeitura de Três Lagoas e pela Secretaria Municipal de Saúde.
Afinal, todos os médicos apresentados ou contratados para atuar como especialistas no mutirão possuem Registro de Qualificação de Especialista (RQE) nas respectivas especialidades?
Informações levantadas sobre profissionais que teriam participado dos atendimentos apontam para situações que merecem apuração pelos órgãos competentes.
Entre os casos está o do médico Jefferson Guedes, apontado como proprietário da empresa responsável pelos serviços. Segundo informações e publicações que precisam ser confrontadas com os registros oficiais dos Conselhos de Medicina, o profissional se apresentaria nas redes sociais como cardiologista e teria realizado exames de ecocardiograma durante o mutirão. A pergunta é simples: o médico possui RQE registrado em Cardiologia?
Outro caso que merece esclarecimento é o da médica Maira Garcia, que teria atuado em atendimentos relacionados à Oftalmologia, apesar de ter concluído recentemente sua graduação em Medicina. A Prefeitura precisa esclarecer em qual condição profissional ela foi contratada e apresentada aos pacientes e se possui RQE em Oftalmologia.
Também chama atenção o caso do médico Bruno, que utilizaria em seu carimbo profissional a informação de pós-graduação em Reumatologia. É fundamental esclarecer se, durante o mutirão, esse profissional foi apresentado, contratado ou remunerado como reumatologista e se possui RQE correspondente.
O mesmo questionamento deve ser feito em relação ao médico João Carlos, que teria realizado atendimentos na área de Endocrinologia: existe RQE registrado nessa especialidade?
É importante fazer uma distinção: possuir graduação em Medicina e registro no CRM habilita o profissional ao exercício da Medicina, mas isso não significa, por si só, que possa se anunciar publicamente como especialista sem possuir a qualificação devidamente registrada. Pelas normas do Conselho Federal de Medicina, a divulgação de uma especialidade médica deve estar vinculada ao respectivo RQE. Cursos de pós-graduação podem ser informados no currículo profissional, mas, quando não conferem título reconhecido de especialista, a publicidade deve observar as regras do CFM, inclusive com a indicação de que o profissional não é especialista.
Portanto, a discussão não deve ser reduzida simplesmente à capacidade de um médico realizar determinado ato médico. O ponto central é saber como esses profissionais foram contratados, apresentados à população e remunerados pelo poder público: como médicos generalistas ou como especialistas?
A situação se torna ainda mais preocupante porque o prefeito de Três Lagoas, Cassiano Maia, também é médico. Como profissional da Medicina, conhece — ou deveria conhecer — as regras que diferenciam um médico com pós-graduação de um especialista formalmente registrado perante o Conselho de Medicina.
Por isso, algumas perguntas precisam ser respondidas publicamente:
Prefeito Cassiano Maia, a Prefeitura verificou o RQE de cada profissional antes de permitir que atuasse no mutirão como especialista?
A Secretaria Municipal de Saúde exigiu documentação comprobatória da especialidade dos médicos contratados?
O edital, credenciamento, contrato ou instrumento utilizado para a contratação exigia médicos especialistas?
Em caso positivo, quais documentos foram apresentados para comprovar essa condição?
Os valores pagos pela Prefeitura são diferenciados para consultas realizadas por especialistas?
Se algum profissional sem RQE foi contratado ou apresentado à população como especialista, quem autorizou essa contratação?
Quem é o responsável técnico médico pelos serviços prestados pela carreta e quais procedimentos foram adotados para conferir a qualificação dos profissionais?
Essas perguntas não podem ser tratadas como mera disputa política. Estamos falando de dinheiro público, transparência administrativa e, principalmente, da saúde da população de Três Lagoas.
O Jornal da Lagoa defende que a Prefeitura publique a relação completa de todos os médicos que participaram do mutirão, informando nome, número do CRM, função para a qual cada profissional foi contratado, especialidade anunciada, número do respectivo RQE — quando exigível — e os valores pagos pelos serviços.
A população tem o direito de saber quem está cuidando de sua saúde.
Um mutirão criado para resolver um problema não pode criar outro.
Se está tudo regular, que os documentos sejam apresentados.
Se não está, os órgãos de fiscalização precisam investigar.
Com a saúde da população e com dinheiro público, transparência não é
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