Operação Infiltrados investiga policiais por desvio de drogas em MS

OPERAÇÃO INFILTRADOS: POLICIAIS SÃO PRESOS SUSPEITOS DE DESVIAR DROGAS APREENDIDAS PARA O TRÁFICO EM MS

Investigação do Gaeco aponta suposto esquema que teria retirado cocaína de apreensões e depósitos policiais para posterior repasse a traficantes

24 DE SETEMBRO DE 2026 — POR NOTÍCIAS3L
DIGITADO POR MARCELO DE PAULA

Operação Infiltrados investiga policiais suspeitos de desviar drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul
Foto ilustrativa — Operação Infiltrados investiga policiais e outros agentes públicos por suspeita de desvio de drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul.


Uma operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, colocou policiais e outros agentes públicos no centro de uma investigação sobre um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas para posterior fornecimento ao tráfico.

Batizada de Operação Infiltrados, a ação foi realizada nesta quinta-feira (24) em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Ao todo, foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão.

Segundo o Ministério Público, a investigação apura a participação de agentes públicos em um esquema que teria utilizado a própria estrutura das forças de segurança para desviar entorpecentes apreendidos em ocorrências policiais.

COMO FUNCIONARIA O ESQUEMA

Segundo o Gaeco, uma das formas utilizadas pelo grupo seria a omissão de parte das drogas nos registros oficiais das apreensões.

Outra linha investigativa aponta que os entorpecentes poderiam ter sido retirados diretamente dos depósitos das delegacias antes da destruição oficial.

Ainda conforme a investigação, as drogas desviadas, principalmente cocaína e pasta-base, não seriam destinadas ao consumo dos envolvidos, mas repassadas a traficantes e posteriormente reinseridas no mercado ilegal.

Os investigadores suspeitam que os agentes tenham utilizado suas funções públicas para facilitar o acesso aos entorpecentes apreendidos.

SELFIE COM 30 QUILOS DE PASTA-BASE

Um dos elementos que chamou a atenção dos investigadores foi uma selfie feita pelo policial Roberto Palmeira da Silva ao lado de aproximadamente 30 quilos de pasta-base de cocaína, apreendidos pela Denar em novembro de 2022.

Segundo informações relacionadas à investigação, mensagens interceptadas posteriormente teriam revelado conversas envolvendo a negociação daquele carregamento com intermediários do tráfico.

O material passou a ser analisado pelos investigadores como uma das provas utilizadas para apurar o possível desvio e a posterior comercialização da droga.

DELEGADO HOFFMAN D'ÁVILA FOI PRESO

Entre os alvos da operação está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que já ocupou cargos de chefia na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e no Garras.

Durante as primeiras diligências, o delegado não foi localizado em sua residência. Posteriormente, ele se apresentou na Corregedoria-Geral da Polícia Civil, acompanhado de um advogado, e acabou preso.

A defesa informou que pretende ter acesso à investigação e buscar a revogação da prisão.

OUTROS AGENTES SÃO INVESTIGADOS

Além de policiais civis, a operação também alcançou policiais militares, um policial penal e um ex-policial, além de outras pessoas que, segundo a investigação, teriam ligação com o suposto esquema.

Entre os policiais civis citados na investigação estão Neverson Vieira de Araújo, Nilton César Sales dos Santos, Roberto Palmeira da Silva e Marcos André Santos Chaves.

A operação também investiga pessoas apontadas como possíveis intermediárias na compra e distribuição das drogas.

INVESTIGAÇÃO COMEÇOU EM 2025

De acordo com o Ministério Público, as investigações tiveram início no final de 2025, a partir de elementos obtidos durante as operações Traquetos e Blindspot.

As apurações passaram a indicar possíveis ligações entre agentes públicos e integrantes do crime organizado, levando à abertura de uma investigação específica sobre o suposto desvio de drogas apreendidas.

MEDIDAS ADMINISTRATIVAS

Além das medidas judiciais, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) determinou providências administrativas contra servidores investigados.

Entre as medidas estão o recolhimento de armas funcionais, a suspensão de acessos aos sistemas policiais e a abertura de procedimentos administrativos disciplinares (PADs).

Os procedimentos poderão resultar em sanções administrativas, conforme o resultado das apurações e o direito de defesa dos envolvidos.

A investigação continua em andamento para esclarecer a participação de cada suspeito e identificar a extensão do suposto esquema.

É importante destacar que os investigados são considerados suspeitos e têm direito à ampla defesa e ao contraditório. As prisões são medidas cautelares e não representam, por si só, uma condenação definitiva.

O caso continua sendo investigado pelas autoridades.

E você, o que acha de uma investigação envolvendo agentes públicos que atuavam justamente no combate ao tráfico de drogas?

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